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UFPA terá curso de Mestrado em Engenharia Naval

O Mestrado em Engenharia Naval da Universidade Federal do Pará (UFPA) busca desenvolver pesquisas aplicadas à Região Amazônica e possibilitar aos engenheiros do Norte e Nordeste que se especializem na área, sem a necessidade de se deslocarem para outras regiões do Brasil. O curso terá as seguintes linhas de pesquisa: tecnologia naval, que envolverá a área de hidrodinâmica, projeto e construção naval; e a área de transportes aquaviários, que envolverá a área de transportes, hidrovias e portos. O mestrado deverá começar em março de 2015 e serão disponibilizadas 14 vagas por meio de um processo de seleção a ser iniciado em janeiro de 2015.

“Isso representa mais uma grande conquista da Faculdade de Engenharia Naval, pois, além da já conceituada graduação, que no final de 2014 fará dez anos, em pouco tempo de existência, já terá o seu mestrado. Mestrado este que já nasce com inserção internacional, uma vez que o curso é em parceria com a University of Southampton, da Inglaterra. Isso abrirá uma grande porta para alunos e professores continuarem seus estudos fora do país e atrairá importantes universidades do exterior para nos ajudar em pesquisas que trarão enorme desenvolvimento ao transporte hidroviário na Região Amazônica", relata o professor Hito Moraes, diretor da Faculdade de Engenharia Naval e coordenador do Mestrado em Engenharia Naval.

Parceria – A aliança com a Universidade de Southampton é um importante diferencial, uma vez que viabiliza a participação de professores ingleses em disciplinas ministradas na UFPA, bem como em orientações de dissertações, que possibilitarão a troca de experiências entre alunos e professores de uma das mais importantes universidades britânicas. A parceria também pretende aproximar os futuros mestrandos da universidade britânica, fazendo com que os mesmos possam realizar doutorado e pós-doutorado na instituição europeia. Além da University of Southampton, a Faculdade de Engenharia Naval também possui convênio com a AALTO University da Finlândia; University of Turku da Finlândia, Memorial University do Canadá; e o Instituto Superior Técnico de Lisboa.

Desafios - Recente, mas cheio de bons resultados, o curso de Engenharia Naval está entre os melhores do Brasil e possui nota máxima na avaliação do Ministério da Educação (MEC). Apesar de todas as conquistas, o coordenador do curso comenta que ainda existem muitos desafios: "No momento, precisamos consolidar a pesquisa na área naval e hidroviária na Amazônia, com a criação de um centro de excelência do setor na UFPA. Para isso, já foram desenvolvidos todos os projetos de laboratórios que darão o suporte e as condições necessárias para se implantar aqui, em Belém, um dos melhores centros de excelência da área naval/hidroviária do mundo.”

Texto: Amanda Campelo – Assessoria de Comunicação da UFPA
Foto: Reprodução / Google

More Sharing Services Publicado em: 03.09.2014 18:04

 

Professor da UFPA fala sobre a navegação pelos rios da Amazônia

 

Emoção e alegria marcam comemorações dos calouros

Muitos candidatos optaram por vir até o campus do Guamá para conferir pessoalmente seu nome no Listão do Processo Seletivo 2013, da Universidade Federal do Pará (UFPA). A instituição teve mais de 77 mil inscritos em seu vestibular, dos quais 7.414 aprovados. Os três primeiros colocados na classificação geral são dos curso de Medicina, Engenharia Civil e Engenharia Naval.

O estudante Danilo Rabelo Mendes, terceiro lugar geral no concurso e aprovado no curso de Engenharia Naval, comemora a vitória. “É uma sensação muito boa. Eu não esperava esta colocação, esperava apenas a aprovação. Essa nova fase só tende a ser boa, desejo fazer o curso que eu realmente gosto”. Segundo Silvia, mãe do calouro, o resultado já era esperado.

Desde cedo, candidatos, acompanhados por familiares e amigos, aguardavam do lado de fora do Centro de Eventos Benedito Nunes (CEBN), na UFPA. Eles acompanhavam a organização e o início da transmissão ao vivo da lista de aprovados. Ansiosos, eles correram para o hall do prédio da reitoria, onde o Listão do PS 2013 foi afixado. A estimativa da Universidade é de que cerca de 200 pessoas estiveram presentes para conferir o resultado na UFPA.

Para procurar seu nome entre os 7.414 aprovados no concurso, muitos passaram um aperto para chegar perto da lista. Lágrimas extravasaram alegrias e tristezas, enquanto as ligações ansiosas para casa divulgavam a boa notícia ou procuravam consolo. “É uma sensação inexplicável. Eu tenho que agradecer a Deus por este momento e a família por ter me apoiado e mostrar que eu tenho potencial para passar em uma Universidade. A partir de agora eu espero melhorar cada vez mais”, conta, com lágrimas nos olhos, o estudante Márcio Gonçalves da Silva, aprovado no curso de Ciências Naturais, que não conseguiu esperar para ouvir seu nome na rádio.

O clima já era de expectativa pela vida universitária para a estudante Brenda Maria Costa, aprovada no curso de bacharelado em Química. “A sensação é única, uma sensação que não dá pra explicar. A gente estuda o ano todo e agora vem à recompensa. Agora é tudo de bom, a faculdade é uma das melhores épocas da vida”, acredita.

Nova oportunidade – A instituição anunciou uma nova oportunidade aos que não passaram no concurso. As 228 vagas não preenchidas serão reofertadas em um novo processo seletivo. O edital do certame está previsto para ser divulgado no mês de fevereiro e usará apenas as notas do Enem 2012 como critério de seleção.

Texto: Lorena Saraiva e Glauce Monteiro – Assessoria de Comunicação da UFPA - Foto: Mácio Ferreira e Antonio Macêdo

 

UFPA acerta primeiros detalhes de parceira com FNDE

http://www.ascom.ufpa.br/links/imagens/reuniao-fnde-foto%20la%C3%ADs%20teixeira%20(6%20de%2011)-dentro.jpgEm reunião ocorrida nesta terça-feira, 18 de dezembro, o reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), professor Carlos Maneschy, encontrou com representantes do Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação (FNDE). O encontro serviu para acertar os primeiros detalhes da parceira feita por meio do Projeto “Caminhos da Escola”, do governo federal.

Programa – Criado em 2007, o “Caminho da Escola” tem como objetivo renovar a frota de veículos escolares, garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso à escola e a permanência  dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais.  O Projeto também busca a padronização dos veículos de transporte escolar, redução dos preços dos veículos e ao aumento da transparência nessas aquisições.

No caso da UFPA, o Projeto ocorre em conjunto com a Faculdade de Engenharia Naval, pois serão utilizadas embarcações para transportar os alunos.

Segundo o representante do FNDE e coordenador-geral de apoio à manutenção escolar, transporte escolar e PDDE, professor José Maria de Souza, o principal papel da UFPA vai ser “estabelecer e transferir dinheiro para o Projeto, além de fiscalizar e manter o padrão das embarcações”. Ainda segundo ele, a intenção é manter essa parceira com a Universidade por um longo período.

Para o diretor da Faculdade de Engenharia Naval, professor Roberto Pacha, fechar esta parceira “vai alavancar a UFPA, mas principalmente o curso, pois é um projeto em conjunto com o governo federal”. Já para o professor Carlos Maneschy, “este trabalho vai dar sequência a um projeto que busca viabilizar transporte público para os alunos do ensino básico e, mais uma vez, mostra o apoio da UFPA ao ensino de base”.

Texto: Carlos Fernando Pinheiro – Assessoria de Comunicação da UFPA - Foto: Laís Teixeira

 

Cresce o desempenho de cursos da UFPA na avaliação do MEC

O Ministério da Educação divulgou dados referentes ao Índice Geral de Cursos (IGC) das Instituições de Ensino Superior, o qual avalia o desempenho e a qualidade dos cursos de graduação e pós-graduação no Brasil. De acordo com o IGC, que atribui valores de 0 a 500 e notas em faixas de 1 a 5, a Universidade Federal do Pará obteve o valor contínuo de 296 e a nota 4. Isso revela um crescimento de aproximadamente 20%, quando comparado aos valores obtidos na avaliação feita em 2008, que foram de 247 e nota 3.

O IGC de cada Instituição de Ensino Superior do Brasil foi apresentado pela primeira vez em 2008 e é divulgado anualmente pelo Inep/MEC. O IGC 2007, divulgado em 2008, compreende todos os cursos das instituições avaliados pelo Enade, dentro do triênio 2005-2006-2007. O IGC 2008 atualiza as informações de cada instituição, dentro do triênio 2006-2007-2008. Já o Índice divulgado este ano compreende os anos de 2009-2010-2011.

Qualidade dos cursos - O Índice Geral de Curso (IGC) é um indicador que considera, em sua composição, a qualidade dos cursos de graduação e de pós-graduação (mestrado e doutorado). O resultado final é expresso em valores contínuos (de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5). Para a graduação, é utilizada para cálculo do IGC a média dos Conceitos Preliminares de Curso (CPC) da instituição, que tem como base o conceito do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE) e o conceito Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD). Para a pós-graduação, o IGC utiliza a nota atribuída pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Os índices da graduação são medidos a partir da verificação dos conhecimentos agregados pelos alunos e das variáveis de insumo, que se dão pela avaliação do corpo docente,  da infraestrutura disponibilizada pela IES, bem como da organização didático-pedagógica. No caso dos cursos de pós-graduação, é levada em consideração a nota da Capes - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Os cursos avaliados em 2011 que obtiveram CPC 4 foram: Ciências Biológicas(Licenciatura/Belém e Bragança), Ciências Biológicas (Bacharelado/Belém), Arquitetura e Urbanismo (Belém), Artes Visuais (Belém), Licenciatua em Música e em Teatro (Belém), Ciências da Computação (Belém), Educação Física (Belém), Filosofia (Licenciatura e Bacharelado/ Belém), História (Licenciatura/ Belém), Letras com habilitação em Língua Portuguesa (Marabá) e Pedagogia (Licenciatura/Belém, Abaetetuba e Cametá).

Já o curso de Engenharia Naval (Belém) foi o único avaliado com a nota 5, aliás, segundo o professor do curso, Hito Braga, "foi o primeiro curso da história da UFPA a tirar a nota  5 em processo de reconhecimento de curso".

Resultados – Em 2008, 31,58% dos cursos de graduação avaliados obtiveram resultado insatisfatório (CPC abaixo de 3) e 68,42% obtiveram resultado satisfatório (CPC maior ou igual a 3), sendo que 7,89% dos cursos avaliados obtiveram CPC maior ou igual a 4. Em 2011, apenas 11,29% obtiveram resultado insatisfatório (CPC abaixo de 3) e 88,71% obtiveram resultado satisfatório (CPC maior ou igual a 3), sendo que 25,81% dos cursos avaliados obtiveram nota igual a 4.

Segundo a diretora de Informações Institucionais da Pró-Reitoria de Planejamento e Desenvolvimento Institucional (PROPLAN/UFPA), Raquel Borges, o IGC faz parte de um dos indicadores do Plano de Desenvolvimento Institucional 2011-2015 da UFPA. “Um dos objetivos estratégicos do PDI é, justamente, fortalecer os cursos oferecidos pela Instituição, sendo o conceito 4 definido como meta para o ano de 2013. Mas o resultado do IGC nos mostra que essa meta foi alcançada antecipadamente”, comemora.

Texto: Ericka Pinto – Assessoria de Comunicação da UFPA - Foto: Alexandre Moraes

 

 Curso de Engenharia Naval da UFPA ganha excelência

Às vésperas do final das inscrições para o Processo Seletivo 2012 (PS 2012) da Universidade Federal do Pará, ainda há candidatos que têm duvidas sobre que carreira seguir. Para alguns, a vocação é o mais importante, para outros pesa as oportunidades de emprego depois de formados. Em comum, todos procuram cursos de excelência, avaliados como os melhores do país pelo Ministério da Educação (MEC). Os candidatos ao PS 2012, então, podem se sentir mais inclinados a se candidatar às vagas do Curso de Engenharia Naval da UFPA. Recém criada, a graduação foi apontada pelo MEC como uma das melhores do Brasil.

A graduação recebeu nota 5, nota máxima, após visita in loco de representantes do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O resultado foi oficialmente divulgado à UFPA e diz respeito à certificação do curso, processo de avaliação realizado pelo Ministério da Educação que possibilita o reconhecimento dos diplomas de graduação em Bacharelado em Engenharia Naval pela Instituição paraense.

Problemas da navegação da Amazônia - “Pelo menos, desde a criação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), em 2004, não temos registro de um curso de graduação na UFPA que já tenha começado com nota máxima”, conta Scarleth O’Hara, presidente da Comissão Permanente de Avaliação da Universidade (CPA). “O curso mantém uma qualidade peculiar em relação as demais graduações em Engenharia Naval ofertadas no Brasil: É um curso que estuda os problemas da navegação da Amazônia, sem a perda da visão global da Engenharia Naval, o único que trata de águas fluviais. Por isso, sua criação e excelente avaliação são muito significativas para a Universidade como um todo”, aponta.

A notícia sobre o resultado foi recebida com comemoração na Faculdade de Engenharia Naval da UFPA, mas não com surpresa. “Trabalhamos silenciosamente, porém, intensamente para que este resultado fosse alcançado. Se tivéssemos recebido outra nota, certamente, não seria suficiente para expressar a realidade do curso”, afirma Hito Braga de Moraes, vice–diretor da Faculdade de Engenharia Naval da UFPA.

A preparação envolveu a organização das informações sobre o curso, reuniões com servidores e discentes da Faculdade e sensibilização constante com os professores e alunos de Engenharia Naval a respeito da importância da participação de todos durante a visita in loco do Inep.

Alunos, professores e servidores unidos pelo reconhecimento da qualidade do curso - Para o diretor, entre as características que possibilitaram alcançar o excelente resultado, estão: a alta qualidade do projeto político pedagógico do curso, a formação e titulação do corpo docente, a infraestrutura física do curso, a visibilidade nacional da produção acadêmica dos alunos e professores, a quantidade de convênio e projetos mantidos em parcerias com outras faculdades da UFPA e de outras instituições, o número de projetos que obtiveram sucesso e que, hoje, são financiados por agências de fomento à pesquisa e, ele destaca, o engajamento de estudantes, professores e servidores da Faculdade em prol deste objetivo. “Diria que a receita para tirar a nota máxima é união, determinação, qualidade, organização e humildade. Somando isso, certamente, dá cinco”, brinca Hito Braga.

Outro ponto forte do curso, segundo o professor, é a interação e a cooperação com outras faculdades da UFPA, especialmente com as ligadas ao Instituto de Tecnologia da UFPA (ITEC), com destaque para a Faculdade de Engenharia Mecânica. “Nossa sede ainda está em construção, por isso, funcionamos em espaços cedidos por outras faculdades e pelo ITEC. Muitos dos professores que dão aulas no curso também são de outras faculdades. Em razão disso, grande parte de nossas atividades é mantida no Laboratório de Engenharia Mecânica, com os professores da Engenharia Mecânica”, relata.

Formados na UFPA já despertam interesse internacional - Para os estudantes, a avaliação também é considerada importante. “Sair da universidade com uma nota que aponta que o curso tem capacidade de formar excelentes profissionais é muito importante para a nossa carreira. E é o próprio Ministério da Educação quem diz que o curso tem qualidade. Isso mostra às empresas e a outras instituições o nosso potencial. Temos colegas recém-formados que já estão sendo contratados até por empresas estrangeiras e estão indo para Portugal, Japão e Holanda”, avalia Roosevelt Casanova, presidente do Centro Acadêmico da Faculdade de Engenharia Naval.

O curso de Engenharia Naval da UFPA foi criado em 2005 e oferta, anualmente, 20 vagas. “Basta olhar o mapa ou ao nosso redor para ver a importância da Engenharia Naval na região. Estamos cercados por rios e por um litoral extenso e, até a criação do curso, só havia pesquisa e ensino nesta área no sudeste brasileiro, o que significa que era improvável receber os profissionais formados lá, para lidar com as limitações da Amazônia. Precisávamos de profissionais e pensadores formados e voltados para lidar com os nossos problemas, que são específicos. O curso, porém, tem uma visão globalizada cujo sucesso pode ser mensurado na contratação dos alunos, que formamos recentemente, por empresas de outros países para atuar fora do Brasil”, aponta Hito Braga.

Essencialmente amazônico, sem perder a visão global - “Esse rio é minha rua”, cantaram os compositores Paulo André e Ruy Barata. A maior bacia hidrográfica do mundo reúne 20 mil km2 de rios navegáveis por onde passa, diariamente, 20% da água potável do globo, mas também por onde passa grande parte dos produtos comercializados na região e por onde acontece o trânsito de pessoas entre as diversas localidades da Amazônia, com um universo estimado de 500 mil embarcações.

Estudos realizados no ano 2000 indicaram que, pelos rios paraenses, passam cerca de 30 milhões de toneladas de mercadorias a cada ano. Entre os principais produtos que têm nas águas doces do Pará sua principal via de escoamento está a soja, cuja produção de 3 a 4 milhões de toneladas por ano é levada pelo rio Madeira até Itacoatiara, no Amazonas, e Santarém, no oeste do Estado. Apenas no Porto de Vila do Conde, localizado à margem direita do rio Pará, município de Barcarena, saem e chegam cerca de 18 milhões de toneladas de produtos por ano.

Podemos estimar que 70% da carga que circula na região passa por vias fluviais. Embora a maior parte do trajeto ocorra nas rodovias, como no caso dos produtos que chegam para abastecer as cidades da Amazônia, as mercadorias só chegarão ao destino final se entrarem nos rios”, assegura o engenheiro Hito Braga.

Atendendo a uma demanda social de suma importância, que é o desenvolvimento de recursos humanos com conhecimento e habilidades necessárias para o estudo das soluções de questões regionais, o curso de Engenharia Naval da UFPA se propõe a produzir conhecimento capaz de responder a questões fundamentais, como: Que embarcações são adequadas para a Amazônia? Como transportar com rapidez e economia as riquezas naturais e pessoas que têm nos rios a sua rua? Como introduzir as mais modernas técnicas de informatização nas empresas de navegação e transportes, muitas vezes, geridas de forma casual e não sistematizada? Como aproveitar a logística natural e vocacional da Amazônia e suas possibilidades de integração com o Brasil e com o mundo? Esses são os desafios dos pesquisadores e profissionais do curso de Engenharia Naval da UFPA. Clique aqui para saber mais sobre o curso.

Texto: Glauce Monteiro – Assessoria de Comunicação da UFPA, com informações da Faculdade de Engenharia Naval.
Publicado em: 06.10.2011 09:50

Engenharia Naval  -- por Marla Rodrigues


Este engenheiro realiza o projeto e acompanha a construção de navios

É a área da engenharia capaz de construir e dar manutenção em embarcações e seus equipamentos. O engenheiro naval projeta toda a estrutura dos navios. Para fazer isso, ele considera o fim a que se destina o navio, barco, lancha ou submarino; a quantidade de carga e de passageiros; a distância a ser percorrida e o local aonde vai navegar: mar, rio ou lago.

Esta profissão é responsável por coordenar e participar de todo o processo de fabricação dos navios e verificar a matéria-prima utilizada para este fim. Além disso, ele pode cuidar do tráfego e das comunicações do transporte marítimo e fluvial.

Mercado de trabalho

As melhores vagas para este profissional estão nas empresas de exploração de petróleo, como a Petrobras. Há esperanças de que o mercado se expanda cada vez mais, já que o governo tem investido em logística por meio do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC. Por razões históricas o transporte de mercadorias é feito há anos principalmente em rodovias, mas a tendência é que isto mude já que o transporte marítimo e fluvial é mais econômico e ambientalmente responsável do que o transporte terrestre. Com as medidas governamentais o número de contratações de engenheiros naval deve aumentar para atuar em projetos, supervisão, inspeção, planejamento e gestão de operações. Os recém-formados podem trabalhar em escritório de projetos e em empresas que certificam a regularidade das construções navais.

Este profissional pode:

- Projetar e coordenar a construção e manutenção de embarcações como navios, barcos e lanchas;
- Planejar o embarque, transporte, desembarque e armazenamento de produtos do comércio marítimo e fluvial;
- Desenvolver tecnologias para submarinos, plataformas flutuantes e robôs de exploração submarina e
- Projetar e construir plataformas marítimas e tubulações para transporte de petróleo.

O curso

O currículo desta habilitação é igual ao de todas as outras engenharias nos dois primeiros anos do curso, mas nos três últimos anos é voltado para a área escolhida e suas principais disciplinas são desenho técnico, mecânica geral, estrutura e propriedade de materiais, sistemas de transporte aquaviário, cálculo, logística de transportes, geomorfologia fluvial, hidrodinâmica, termodinâmica, arquitetura naval, portos e oceanografia. O curso também é conhecido como Construção Naval.

Instituições

Região Nordeste
Pernambuco: UFPE

Região Norte
Amazonas: UEA, UniNorte, ULBRA.
Pará: UFPA.

Região Sudeste
Rio de Janeiro: UFRJ, UEZO
São Paulo: USP.

Região Sul
Rio Grande do Sul: FURG
Santa Catarina: UniVali.

Faculdade de Engenharia Naval propõe criação de selo contra escalpelamento

Um projeto da Faculdade de Engenharia Naval da Universidade Federal do Pará (UFPA) propõe a criação de um selo, na Capitania dos Portos, para oficializar que uma embarcação está livre de riscos de escalpelamento. O selo seria denominado “Avire”, Atestado de Vistoria de Isenção de Risco de Escalpamento. O projeto sugere, ainda, educar as comunidades ribeirinhas com o propósito de difundir informação e evitar o acidente, muito comum nos rios da Amazônia.

        

Prevenção - Para o coordenador do projeto, professor Kao Yung Ho, o mais importante é conscientizar os proprietários e os usuários de embarcações sobre essa situação, pois, segundo ele, o problema do esclapelamento nos rios da Amazônia é mais de gestão do que técnico. “O órgão responsável é a Capitania dos Portos, mas, para resolver a situação por completo, teria que haver uma grande campanha, o que é bem difícil, considerando o tamanho dos rios da região.”

Segundo Kao, o diferencial do projeto da Faculdade de Engenharia Naval é a proximidade que o aluno poderá ter com o ribeirinho, já que, muitos destes se sentem intimidados quando percebem que um oficial fardado está vindo em sua direção. “Para os ribeirinhos, a impressão é a de que o representante da Capitania está se aproximando para aplicar alguma multa. Já os estudantes, por possuírem uma abordagem menos formal e por serem de uma instituição de ensino como a UFPA, podem dialogar mais de perto com os barqueiros.

Obviamente, nossos alunos não serão suficientes para todo o Estado, mas o que nós pretendemos é criar um projeto de gestão, em que não se vai apenas ao barco dizer o que deve ser feito, e sim acompanhar a situação e formar um sistema de controle, pois, se hoje um barco está correto, mais tarde ele pode repassar a adequação para outro proprietário, que poderá modificar a embarcação”, explica Kao.

Gestão do projeto - Este direcionamento está sendo desenvolvido, a longo prazo. A ideia é que o próprio Centro Acadêmico de Engenharia Naval tome a frente desta iniciativa, com a orientação dos professores do curso. E com o passar do tempo, os estudantes irão treinar as próprias comunidades para serem agentes multiplicadores, as quais terão a autonomia de vistoriar e orientar os outros usuários de barco contra o escalpelamento, assim, eles não se tornariam dependentes dos estudantes.

De acordo com o professor, os alunos, além de estarem auxiliando as comunidades, poderão fazer um trabalho de coleta de dados. “Temos pouco material sobre as características das embarcações e os números de acidentes nos rios da região. Ainda somos pobres em dados”, diz o Kao Yung Ho. “Pesquisando na internet, podemos achar números muito incertos, as fontes, na maioria das vezes, não são citadas, e cada órgão possui uma estatística diferente”, afirma o coordenador.

Situação nos rios da Amazônia – O escalpelamento, geralmente, acontece quando mulheres de cabelos compridos têm os fios puxados pelo eixo do motor de embarcações que não têm nenhum tipo de proteção, que impeça o contato direto do motor com o passageiro. O acidente pode arrancar o couro cabeludo, as orelhas, parte da pele do rosto e, em casos mais graves, levar a óbito. Apesar de mais comum entre mulheres, há registros de homens escalpelados, nesses casos, a maioria sofre mutilações genitais.

É lei - As pessoas que sofrem esses acidentes são, em sua maioria, de baixa renda e, por isso, nem sempre têm informação ou procuram algum órgão competente. Todos têm direito de navegar em uma embarcação segura, e esse direito está garantido na Lei Federal nº 11.970, de 6 de julho de 2009, que torna obrigatória a instalação de proteções em torno de áreas móveis e do eixo do motor de embarcações. Quem descumprir a orientação pode ter o barco apreendido.

Kao Yung Ho destaca que existem muitas ONGs que trabalham no sentido de ajudar as pessoas que sofreram este tipo de acidente, “mas o nosso projeto visa evitar e não remediar o que já aconteceu”, ressalta. Segundo dados do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 80% dos casos de escalpelamento no Brasil ocorrem nos rios da Amazônia, o que torna o desafio do projeto ainda mais importante.

Documentário - O escalpelamento já foi tema de documentário na UFPA. Os estudantes de Comunicação Social, Aline Souza Santos e Edson Luiz dos Anjos, escolheram falar sobre o assunto em seu Trabalho de Conclusão de Curso, e o vídeo está disponível na internet.

Texto: Yuri Coelho – Assessoria de Comunicação da UFPA - Fotos: Divulgação Projeto e Alexandre Moraes